Agamenon Almeida

A vida é a arte do possível na busca do impossível.

Textos


NOSTALGIA OU DESESPERANÇA?

Como poeta e pensador, tenho por ofício, analisar as mais variadas questões da vida, na busca da compreensão dos fatos, ou quiçá, uma inspiração para escrever um texto, uma poesia ou um pensamento.
Ultimamente, no entanto, um constante sentimento de nostalgia tem me assaltado, toda vez que algum fato me parece incoerente, ou para o qual, não encontro sentido ou racionalidade.
Você que lê, este inicio de texto, não deve estar entendendo nada. Explico: na minha última viagem a Piritiba, andando por certos lugares, vi muitos jovens e até pessoas de vastos cabelos brancos, se deliciando com uma epidemia de fotos... (vocês já devem imaginar de que tipo de foto estou falando) que estavam rodando em certos aplicativos de celulares.
Num mundo completamente desprovido de racionalidade, bom senso, ética e vergonha, me pergunto: para onde estamos levando os nossos jovens?
E foi ai que bateu aquela nostalgia da minha juventude, onde meninos e meninas, cheios de sonhos, como eu, reuniam-se em associações na busca de caminhos para desbravar o horizonte. Qual não foi a minha grande alegria ao ser admitido na JUP-Juventude Unida Piritibanba, ao me unir àquele grupo de jovens que partilhavam os mesmos sonhos, os mesmos ideais, as mesmas esperanças; que colocavam diante de si, não o desafio de encontrar, somente, o próprio caminho, mas o desafio maior, de juntos, encontrarem soluções que servissem a todos, indistintamente, porque a vida não é feita somente para uns, em detrimento dos demais.
E nesta saraivada de lembranças, revivi os tempos do Grêmio Estudantil (com José Lima à frente), do Centro Cívico Osvaldo Macedo (do qual participei da fundação e fui o primeiro presidente), do Censieson Jornal (uma verdadeira epopeia, do nosso primeiro jornal impresso em mimeografo a álcool, com Evanice Lopes, Betinha, Alambergues, Oderlita e tantos outros). Como esquecer a batalha do Pirivoz, na luta para trazer vacinas para a epidemia de meningite que assolava a nossa cidade. Como esquecer a Escola de Música comandada pelo Maestro Sizefredo, no seu incansável e abnegado esforço de ensinar musica para meninas e meninos como Truvão, Waldir, Ton Andrade. Da DCC-Divulgadora Cristã e Cultural, serviços de alto-falantes, sob a direção de Pe. Edival Monteiro. Do Festival Regional da Canção, que revelou tantos talentos e de onde saiu "Capim Guiné" para ganhar o mundo.
Muitos, certamente dirão: - Apenas lembranças saudosistas, o mundo mudou, agora os tempos são outros. Certamente são, mas uma análise um pouco mais aprofundada nos permite fazer um comparativo dos valores que permeavam e que permeiam os caminhos dos jovens de ontem e os jovens de hoje.
Para onde irão essas crianças? Que caminhos irão trilhar? Que mundo serão capazes de construir? Em que espelho serão capazes de se mostrar?
Em um mundo cibernético, cheio de redes sociais que se transformaram em uma verdadeira terra de ninguém, onde vicejam as mais variadas formas de degradação humana, me pergunto: NOSTALGIA OU DESESPERANÇA?
Por isso, e por causa disso, cabe a nós, os "velhos", pelo menos deixar o nosso exemplo de princípios, de ética, de verdade e de Deus. Não porque sejamos perfeitos, mas porque sempre tivemos como objetivo maior, a busca da perfeição.
Agamenon Almeida
Enviado por Agamenon Almeida em 29/12/2017
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