Agamenon Almeida

Semeai esperanças: é este o passaporte para a felicidade.

Textos


DIANTE DO ESPELHO

Já não me reconheço diante do espelho
Este implacável denunciador
Que insiste em me enquadrar
Nos falsos limites do calendário

Já não me reconheço diante do espelho
A minha cabeça não sintoniza o contar do tempo
O vigor das novas ligações neurônicas
Formulam a cada instante, mundos, sonhos, projetos

Já não me reconheço diante do espelho
Há um descompasso entre o tempo e o vento
A ventania da alma a cada dia mais vigorosa
Despe-se de todos os medos, tropeços, segredos.

Já não me reconheço diante do espelho
E desdenho implacavelmente dele
Querendo subjugar-me aos estreitos ditames da matéria.
Não, não. Já estou viajando na cauda de um tufão.


Agamenon Almeida

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Publicado em 27/06/2009 às 12h50


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